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Putas. Quem são elas?

São mulheres excepcionais, psicólogas, amantes e não amadas, desejadas e simultaneamente desprezadas. Vivem à margem sob o véu da noite, e de dia, estigmatizadas de “putas” carregam consigo histórias que contradizem seu estigma por serem elas: prestadora de um serviço de bem-estar. Odiadas e invejadas!

Putas. Quem são elas?

São mulheres que doam seus corpos a serviço do bem-estar de precisados e desalmados; de homens em crise, de crise conjugal, de crise consigo mesmos, de joguetes de Eros. Escravos desse “amor” que lhe consome as vísceras e não se aquieta, enquanto não estiver saciado. Coitadinhos entregues nos braços de tão depravado amor, e que nos braços dessas mulheres sacerdotisas e serviçais, encontram sossego de corpo e alma por um instante, derramando suas magoas e afogando seus desejos. Que belo e contraditório serviço que a puta presta a tais homens, à humanidade! Quantos casamentos não salva?! Não são elas a des-fazer casamentos, e muito menos o real motivo para tal. Quando homens as procuram é porque algo já não está bem, elas são apenas e muitas vezes “psicólogas do amor amargo”. E seu pagamento? É a exclusão e marginalização social.

Putas. Quem são elas?

São mulheres marginais porque estão a margem, e estão a margem por não serem aceitas e compreendidas naquilo que de melhor sabem fazer: amar afetivamente e efetivamente. E que espécie de amor é esse? Não é o sexual, muito menos seus delírios extasiantes, mas aquele amor altruísta que se aniquila para o bem-estar do outro. E o instrumento desse amor é o seu próprio corpo quente com o calor e as peripécias de Eros e suas fantasias sexuais. Desse “serviço” tira sua “sobrevivência” e da família a duras penas, pois até quem usa seu serviço é o primeiro a marginalizá-la não reconhecendo o bem que fez, pois, afinal, não passou da “compra” de um “produto”, de uma “puta”… e aí está o seu “pagamento”, “seu dinheiro”.

Putas. Quem são elas?

São mulheres dignas, que tem sonhos, que ama de verdade com o mais puro genuíno amor o seu companheiro, seus filhos (se os tiver, afinal muitas são mães) e seus “clientes”. E que apesar do estigma que carrega seu amor é tão nobre quanto o amor de qualquer outra mulher. Enfim, são mulheres que apesar do que faz tem sentimento, tem sonhos, tem amor e ama os seus de verdade.

Putas. Quem são elas?

São “profissionais” não porque é seu estigma uma profissão; ou porque fazem tão bem o seu trabalho que se tornaram capacitadas, experientes; são profissionais porque foram relegadas ao último dos serviços pilar de uma sociedade hipócrita, que ano após ano faz circular milhões em cifras, alimentado os balcões das “empresas” desse tipo de serviço prestado a ricos e pobres, muitas dessas empresas clandestina e marginal. São profissionais porque não souberam ou não lhe deram oportunidade de construir na sociedade hipócrita uma outra e “mais digna” profissão.

Putas…

Amadas, odiadas, excluídas, invejadas, procuradas, traficadas, mercadoria, mas sobretudo, mulher…

Putas…

Que tem sentimentos e que sentem a dor da exclusão quando pejorativamente são seus filhos tratados e chamados de “filhos da puta”. Filhos e filhas de mulheres guerreiras que com o seu trabalho honesto enche a mesa de fartura para que eles tenham uma vida melhor.

Putas…

Mulheres guerreiras, mulheres livres a desafiar mesmo na calada da noite o sistema e a sociedade; mulher David que a cada dia vence um Golias; mulher prostituta e prostituída que deu água de beber a Jesus; mulher pecadora perdoada e amada verdadeiramente pelo Senhor; mulher que precede as boas e santas “mulheres” no Reino dos Céus.

Puta, a você nossa mais humilde reverencia, respeito e admiração. E no céu rogai por nós!

No mais…deixo à interpretação, à falação!

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