Perplexidade

Por Sebastião Catequista

Perplexidade

É o sentimento que emerge ao ver o resultado do primeiro turno das eleições de 04 de outubro de 2026. E a perplexidade não é porque o candidato Lula não ganhou. Longe disso! Mas é por algo mais profundo e estarrecedor: a postura de valores que o povo assumiu. E sim, o povo é soberano, é livre para fazer escolhas. Certo! Mas o povo não é inocente, longe disso. E por sua postura pagará caro. O cinismo nessas eleições é de uma temperatura sem igual.

Isso nos faz lembrar a postura e a pregação dos profetas como Isaías, Jeremias, Amós e Oseias se se nos referirmos ao Primeiro Testamento das Escrituras Sagradas. Se levarmos em conta os filósofos, trago à lembrança Maquiável. Há um ditado que diz que o povo tem o governo que merece. Nas Escrituras, se diz que, quando o ímpio chega ao poder o povo geme, mas quando o justo chega o povo se alegra (Provérbios 29,2). Precisa dizer mais?

Hoje não há o que comemorar. É noite! Nesse momento quem perde não é a democracia, é o próprio povo. Essa eleição não é sobre Lula e o seu opositor, mas sobre o Povo. O fato de seu opositor ter 47% dos votos válidos diz muito sobre o povo, seus valores, sua consciência na atual circunstâncias do país. Claro que não todo povo, mas sua grande maioria.

Nessas eleições um caso atípico: o uso da religião de forma descarada. Mas isso sempre houve! Verdade, mas não desse modo e com intensidade desleal. A teologia do domínio e da prosperidade sequestrou a consciência evangélica (no mal sentido mesmo), não a alienou, sequestrou. Mas também na comunidade católica a teologia do tradicionalismo, que não tem nada haver com a Tradição, também o fez e faz a rebeldia ou com a conivência de seus bispos que estão tão desconcertantes nesse momento da História atual. Como faz falta bispos da história recente como D. Paulo Evaristo, D. Luciano Mendes, Dom Helder Câmera, D. Pedro Casaldáliga, e tantos outros…

No “ringue” dessa eleição, se falarmos da narrativa religiosa, o voto evangélico sobrepôs o voto católico moderado, com o apoio silencioso (pelo seu silêncio) do voto católico alienado. Todos os movimentos populares, pastorais, associações e grupos mais comprometidos com o social não conseguem furar a bolha de sua própria ação e ir mais longe, para fora. Os movimentos católicos tradicionalistas estão em alta e se preciso for fazem conchavos até com… se preciso for, para manter sua falsa hegemonia. Já vimos isso antes na história recente.

Hoje, vimos “Jesus” ser trocado por “Barrabás” de novo. No Primeiro Testamento, recorro à ele de novo, há uma passagem (Juízes 9,7b-15s) em que é contada uma parábola sobre quem deve reinar sobre quem. O texto é sugestivo, peço que leia, é interessante! Confira! No texto, o espinheiro é quem reinará sobre o povo. É claro que isso é uma metáfora. Se você ler o capitulo 9 todo verá algo de interessante. O fato é que, o povo de hoje, não perdeu a noção de perigo e o senso da liberdade, da responsabilidade e do futuro próximo, mas, está pondo para fora, o que há de mais vil e inescrupuloso de si. E já vimos isso antes, recentemente.

O Brasil não está polarizado como nas eleições passadas, está perdido, obscurecido pela sua alienação, pelo ódio, pela falta de memória e esquecimento do que sofreu na covid-19, pela fome e desemprego que passou. Tem ódio de Lula e do PT, mas não sabe o porquê, enumera uma lista desse ódio mas não sabe justificar. Aprova a mentira, a milícia, a violência e antipetismo e também não sabe porquê. É uma escuridão total. Nunca vimos isso na História recente. Aqui me faz lembrar a Carta de Diogneto do século II. É lamentável. Na referida carta, os cristãos são perseguidos e odiados sem que seus detratores o saibam porquê, e mesmo assim, os cristãos são a causa de prosperidade para o povo. Como explicar isso? Há semelhanças de sentido? Deixo que você faça esse juízo.

Lula não perdeu, já fez muito pelo povo e pelo país. Será lembrado pelas gerações futuras como um homem de grandeza, entretanto, quem perdeu foi o próprio povo e o futuro desse país. Ainda que ele ganhe no segundo turno, quem saiu perdendo foi o povo, o próprio povo. E não é pelo o que Lula fez ou deixou de fazer, ou porque o seu atual governo não é um dos melhores, ou se ganhar venha a fazer. Não se trata disso. O povo perdeu porque perdeu o senso de valores ainda que estes valores esteja lá em algum lugar enterrado por esse lixo tóxico de agora. Perdeu, porque o outro lado, o outro candidato representa tudo o que é vil, podre, ridículo, e o que há de mais simplório nesse país. Mas, também não é sobre ele, mas sobre nós mesmos – o povo. O candidato opositor, que não ouso mencionar o nome, não é o problema, o povo é o problema, e como seu pai, ele só é um instrumento que faz o povo pôr para fora, o pior de si. Mas estamos numa democracia, e o povo é livre, livre mas não é inocente. E por isso mesmo, vale o ditado: “cada povo tem o governo que merece” – isto é, se amanhã sofrerá violência, fome, miséria, desemprego, humilhação, se os americanos nos explorar, se nos fecharmos à comunidade das nações e ao desenvolvimento, se nos sufocarem a vida, não haverá salvadores, nem mesmo milagres dos céus e suas divindades. Jesus mesmo o disse: Se eles tem os profetas, as Escrituras, não creiam que vindo um sinal do céu os converterá…

Nessa noite… o Silêncio não é fúnebre… é profundamente desconcertante….

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NB.: Não devemos ser pessimistas. A Esperança é Motivação. Agora,  precisamos mais de Lula do que Lula precisa de nós. O 13 ainda é portador de Esperança mesmo que a realidade mostre o contrário. A História mostrará!

Sobre Sebastião Catequista 99 Artigos
Olá! Sou Sebastião Catequista. Sou educador popular e narrador dos conteúdos bíblicos. Sou Catequista. Habito a Igreja Católica e me identifico como tal, meu lugar de fala é a partir dos Grupos e Comunidades Eclesiais (ceb's), Pastorais e Movimentos Populares. Faço parte do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) da Região Nordeste, Estado de Pernambuco. Atuo como Catequista e Agente de Pastoral em diversas atividades eclesial. Blogueiro, assessor, palestrante, criador de conteúdos, sou católico de fronteiras: isto é, sou Ecumênico, de profundo Diálogo inter-religioso com outras Tradições religiosas cristãs e não cristãs. Adoro ler, curtir a natureza, passeios, fotos, músicas e bons filmes. Sinto-me encantado com a Vida e agradecido. Sou um contemplativo nato. Adoro o mundo da Teologia e da Ciência da Religião. Praticante da espiritualidade dos Padres do Deserto e da Oração de Jesus, aqui compartilho textos diversos, reflexões, estudos em torno da fé, da espiritualidade, da catequese, da liturgia, da teologia de modo geral, do ecumenismo e do diálogo religioso cristão. Agradeço sua visita e apreciação de meus textos. Seja bem-vido(a)! Que a Paz esteja contigo e que nosso blog te possa ser útil na jornada da Vida. Boa leitura!

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